Quanto custa manter um cartão de crédito?
Sem anuidade e com a fatura paga por inteiro, o custo pode ser zero; juros e tarifas mudam essa conta.
Revisado por Matheus Capobianco · Atualizado em · 4 min de leitura
O custo aparece com anuidade, seguros, tarifas e, principalmente, juros quando a fatura não é paga no prazo.
Para saber o número real, some todas as cobranças dos últimos 12 meses, e não só a anuidade.
O que você pode pagar para manter o cartão
| Custo | Quando aparece | Como evitar ou reduzir |
|---|---|---|
| Anuidade | Na fatura, à vista ou parcelada | Negociar ou buscar isenção |
| Seguros | Quando contratados | Cancelar o que não usa |
| Segunda via | Em caso de perda ou roubo | Conferir a regra do banco |
| Saque | Ao sacar no crédito | Evitar essa operação |
| Juros | Com saldo em aberto | Pagar a fatura inteira |
| Multa e mora | Em caso de atraso | Pagar até o vencimento |
A anuidade costuma ser o custo mais visível.
Os juros, porém, costumam ser o mais caro.
Em um mês ruim, eles podem superar a anuidade de um ano inteiro.
Faça a conta do seu cartão
Abra as faturas dos últimos 12 meses e some cada item.
Veja três perfis hipotéticos:
| Perfil | Cobranças no ano | Custo anual |
|---|---|---|
| Paga tudo em dia, sem anuidade | Nenhuma | R$ 0 |
| Anuidade e seguro mensal | R$ 480 mais R$ 118,80 | R$ 598,80 |
| O mesmo, com um mês no rotativo | R$ 598,80 mais cerca de R$ 153 | Cerca de R$ 752 |
No terceiro perfil, o exemplo considera R$ 1.000 em aberto por um mês, sem somar IOF.
O valor usa a taxa média divulgada pelo Banco Central para setembro de 2026.
Na prática, o custo varia conforme o contrato.
Por que os juros mudam tudo
O juro médio do rotativo chegou a 451,7% ao ano em setembro de 2026, segundo dados do Banco Central divulgados pelo O Povo.
Isso equivale a cerca de 15,3% ao mês.
No parcelamento da fatura, a média foi de 193% ao ano, ou cerca de 9,4% ao mês.
Esses números são projeções anuais, porque muita gente fica no rotativo por pouco tempo.
Além disso, juros e encargos dessas modalidades não podem ultrapassar o valor original da dívida, conforme a Lei 14.690/2023.
Mesmo com esse limite, a conta sobe rapidamente quando o saldo fica em aberto.
Multa, mora e tarifas
Em caso de atraso, a Serasa informa multa de até 2%, cobrada uma única vez, e juros de mora de até 1% ao mês.
Em uma fatura de R$ 1.000 paga com 10 dias de atraso, a cobrança somaria cerca de R$ 23,30.
A esse valor podem se somar os juros do rotativo sobre o saldo não pago.
As tarifas do cartão seguem regras do Banco Central.
O Idec cita cinco tarifas permitidas: anuidade, emissão de segunda via, saque, pagamento de contas e aumento emergencial de limite.
Se aparecer uma cobrança que você não reconhece, peça explicação ao banco.
O saque merece atenção especial.
Segundo o Idec, a maioria dos bancos trata essa operação como empréstimo, e juros e IOF podem incidir além da tarifa.
Por isso, ele tende a ser uma das formas mais caras de usar o limite.
Os custos que não aparecem na fatura
Alguns custos são indiretos.
Um cartão sem cashback ou pontos deixa de devolver dinheiro que outro poderia devolver.
Um limite alto pode facilitar compras que não caberiam no orçamento.
Parcelas acumuladas também reduzem a sua margem nos meses seguintes.
Esses efeitos não entram em nenhuma linha da fatura, mas pesam no resultado do ano.
Por isso, compare o custo do cartão com o que ele devolve.
Como reduzir o custo
- Revise a fatura e cancele seguros que você não usa.
- Peça isenção ou desconto na anuidade.
- Programe o pagamento para não perder o vencimento.
- Evite saque no crédito.
- Se não puder pagar tudo, compare o parcelamento da fatura com outras opções antes do vencimento.
- Troque o cartão, se o benefício não cobre o custo.
Vale repetir essa revisão uma vez por ano.
O seu gasto muda, os benefícios mudam e a anuidade também pode ser reajustada.
Qual é o custo aceitável?
Não existe um valor certo para todo mundo.
O custo faz sentido quando o cartão devolve mais do que cobra em benefícios que você realmente usa.
Em um cartão sem benefícios relevantes, o custo ideal é zero.
Já juros e multas raramente trazem contrapartida, então esses devem ser evitados em qualquer perfil.
Perguntas frequentes
Cartão sem anuidade tem algum custo?
Pode ter.
Saque, seguros, juros, multa e outras cobranças continuam possíveis, conforme o uso e o contrato.
Os juros do cartão têm limite?
No rotativo e no parcelamento da fatura, a soma de juros e encargos não pode passar do valor original da dívida.
Posso contestar uma tarifa desconhecida?
Sim.
Procure o SAC do banco e, se necessário, a ouvidoria, o Procon ou a plataforma consumidor.gov.br.