Quanto do limite usar sem prejudicar seu perfil de crédito?
Não existe um percentual oficial: o que mais pesa é pagar em dia e não depender do limite.
Revisado por Matheus Capobianco · Atualizado em · 4 min de leitura
A Serasa cita 30% do limite como boa referência, e o Nubank orienta usar até 70%.
Por que as referências são diferentes
Os dois números vêm de fontes diferentes, e nenhum deles funciona como regra de mercado.
A Serasa apresenta os 30% como boa prática de controle, não como regra fixa.
O Nubank traz os 70% em uma lista de dicas para quem busca aumento de limite.
Como cada instituição usa critérios próprios, nenhuma faixa vale igualmente para todos os bancos.
| Limite total | 30% do limite | 70% do limite |
|---|---|---|
| R$ 1.000 | R$ 300 | R$ 700 |
| R$ 2.000 | R$ 600 | R$ 1.400 |
| R$ 5.000 | R$ 1.500 | R$ 3.500 |
| R$ 10.000 | R$ 3.000 | R$ 7.000 |
Use a tabela como referência de controle, não como meta de gasto.
Se o seu orçamento pede menos, o valor certo será menor.
Os sinais que costumam pesar contra você
O percentual sozinho conta pouco quando vem acompanhado de outros comportamentos.
Estes são os sinais mais citados:
- chegar perto do teto todo mês, o que pode ser lido como endividamento;
- ultrapassar o limite com frequência, o que sugere dependência de crédito;
- pagar apenas o mínimo ou parte da fatura;
- parcelar a fatura inteira, o que pode sinalizar dificuldade financeira;
- atrasar pagamentos, mesmo por poucos dias.
O histórico de pagamentos responde por 29% do cálculo do Serasa Score, segundo a própria Serasa.
Por isso, gastar 60% do limite e pagar tudo em dia tende a incomodar menos do que gastar 20% e atrasar.
Usar pouco demais também tem efeito
O cartão guardado na gaveta gera pouca informação sobre o seu comportamento.
O Nubank afirma que um uso muito baixo pode indicar que você não precisa de mais crédito naquele momento.
Compras pequenas do dia a dia, como mercado e transporte, já ajudam a criar histórico.
Elas funcionam melhor quando cabem no orçamento e entram em uma fatura paga por inteiro.
Compra parcelada ocupa mais limite do que parece
A parcela aparece pequena na fatura, mas o limite cai pelo valor total da compra.
Veja um exemplo: em um cartão de R$ 2 mil, uma compra de R$ 1.200 em 12 vezes ocupa 60% do limite logo no primeiro dia.
A parcela mensal será de R$ 100, e o espaço volta aos poucos, conforme as faturas são pagas.
A Serasa informa que parcelar compras não reduz o score por si só.
O problema aparece quando várias parcelas se acumulam e apertam os próximos meses.
Antes de dividir uma compra, some as parcelas que já estão ativas.
Seu teto deve partir da renda, não do limite
O limite mostra quanto o banco libera, não quanto você pode gastar.
Imagine uma pessoa com renda de R$ 4 mil e limite de R$ 10 mil.
Gastar R$ 3 mil representa apenas 30% do limite, mas equivale a 75% da renda.
O percentual parece confortável, enquanto o orçamento fica apertado.
Para definir um teto pessoal, siga esta ordem:
- calcule a renda líquida que entra todo mês;
- desconte aluguel, contas, alimentação e transporte;
- some as parcelas e outras dívidas em andamento;
- separe um valor para imprevistos, quando possível;
- defina quanto pode ir para o cartão, independentemente do limite.
A Serasa cita como referência não comprometer mais de um terço da renda com empréstimos, financiamentos e cartão.
Revise esse teto sempre que a renda ou as dívidas mudarem.
Deixe uma folga para os imprevistos
Outro motivo para não encostar no teto é prático.
Quando o limite fica totalmente comprometido, você perde espaço para novas compras e para lidar com uma emergência.
Acompanhe os gastos no app durante o mês, em vez de olhar apenas a fatura fechada.
Assim, dá tempo de frear antes de chegar ao seu teto.
O que não vale a pena fazer
Pedir vários cartões para diluir o uso do limite pode sair caro.
Segundo a Serasa, de 3 a 4 consultas em 6 meses podem reduzir o score temporariamente em até 60 pontos.
Pedir redução de limite também não aumenta a pontuação por si só, embora possa ajudar quem tem dificuldade para controlar os gastos.
Perguntas frequentes
Usar todo o limite derruba o score?
A Serasa não informa uma perda fixa para esse caso.
Usar tudo pode indicar dependência de crédito, e o score pode cair se isso levar a atrasos.
Ter limite maior que o salário prejudica?
Não por si só.
O risco está em tratar o limite como renda e gastar além da capacidade de pagamento.
Parcelar compras reduz o score?
Não diretamente.
O impacto aparece quando as parcelas dificultam o pagamento das faturas em dia.